Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

08
Jan16

Tão mau que vou ter de partilhar. O conto de Mocholini, o Mocho.

Maria das Palavras

Como já contei, cá em casa contam-se histórias muitas vezes. Ao serão ou para passar o tempo no carro (jogos de viagem abomino, histórias é menos mal). Normalmente quem vai contar pede 3 palavras e começa a inventar. E digam-me vocês por que raio insistem em pedir-me histórias (90% das vezes sou eu a sacrificada), se me saem coisas deste género:

 

Conto: O Mocho Mocholini | Maria das Palavras

  

Era uma vez um mocho, chamado Mocholini (don't ask, deve ser influência da onda de fascistas vs comunistas). Fora desde novo treinado pela família para ser mascote do Benfica (vivia na mata de Benfica, nada mais, nada menos). Quando uma águia foi selecionada para o lugar, a família viu os seus objetivos cairem por terra, mas Mocholini não se deixou abater e continuou a treinar. A oportunidade chegou: a águia Vitória partiu os óculos a um membro do público no estádio, caiu em desgraça e Mocholini foi dos primeiros a chegar as audições, num dia triunfal para a espécie. Foi o candidato que mais impressionou - sobretudo quando lhe perguntaram "a nossa águia sobrevoava o estádio em anéis perfeitos e o caro mocho o que sabe fazer?" e ele pigarreou e respondeu "sei cantar". Que maravilha, um mocho cantor. A concorrência não teve muita hipótese e no jogo seguinte, a seguir ao hino das papoilas, Mocholini foi colocado num poleiro num palco improvisado ao centro do campo com um microfone à frente e entoou o seu canto, que para surpresa de todos (inclusivamente de quem o contratou à pressa) era uns sonoros: uuuhhhh-uuuhhhhhhh. O Benfica vinha de uma derrota pesada com o rival da segunda circular, não estava na melhor posição no campeonato - porque o Rio Ave e o Nacional não quiseram coligar-se com ele e juntar as pontuações -, portanto uma canção que se assemelhava tanto a vaiar o clube caiu muito mal. Aliás, caiu foi de gingeira nos ânimos já combalidos dos adeptos que a pronto o acompanharam e de repente todo o estádio fazia: uhhhh-uuuuhhhh. Mocholini foi retirado rapidamente do relvado e expulso do estádio, atirado com um chuto pela porta 18 com os seus pertences. A águia Vitória foi perdoada e voltou às funções - era melhor ter alguém a cegar os adeptos para não verem as desgraças do que a incentivar ecos de insatisfação. Mas aquilo que parecia um revés fatal para a família de Mocholini acabou ainda assim por ser um momento de orgulho para todos. Daí em diante, a cada passe falhado, cada golo sofrido, cada derrota, os adeptos imitavam Mocholini: uuh-uuuhhhhh. E ele ficou para sempre ligado ao clube, como o pai do vaiar benfiquista.

 

[Qualquer semelhança entre a história e factos reais, ou a minha necessidade de ser internada, é pura coincidência.]

 

Sigam-me no Instagram @maria_das_palavras, no Youtube aqui e no Facebook aqui.

Seguir no SAPO

foto do autor

Passatempos

Ativos

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O meu mai'novo

Escrevo pr'áqui







blogging.pt

Recomendado pela Zankyou

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

subscrever feeds