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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

11
Abr16

O estranho caso do taxista devoto do budismo

Maria das Palavras

Táxi - Imagem Pixabau

 

Ontem apanhámos um táxi do aeroporto para casa, já tarde e a más horas. Sem outra bagagem que não as nossas pequenas mochilas dirigimo-nos logo para o banco de trás.

 

Eu entro no táxi e digo boa noite. O taxista nada.

O Moço entra no táxi a seguir a mim e diz boa noite. O taxista nada.

Os segundos passam-se e o taxista nada, o carro parado à frente do aeroporto. Olhamos um para o outro, encolhendo ombros,  tirando a conclusão óbvia (ninguém é TÃO mal-educado, o taxista só pode ser mudo) e o Moço anuncia o destino.

 

A viagem passa-se no silêncio mais absoluto.
Quando chegamos à nossa rua o taxista também não pede novas indicações e aguarda calmamente pela nossa instrução de parar. Encosta. O Moço perde um bocado a encontrar a carteira e quando finalmente a encontra pergunta (apesar de estar bem visível no taxímetro): quanto lhe devemos, então?

 

E aí aconteceu: um quase inaudível "oito euros". Pagámos, saímos ouvindo desta vez um "boa noite" baixinho, que respeita a calada da noite, em resposta ao nosso cumprimento final. 

Foi aí que finalmente percebemos. O taxista já não podia ser mudo - afinal falou. Era budista e tinha feito um voto de silêncio que o obrigámos a quebrar. Sentimo-nos pessimamente, mas de alguma forma, conseguimos acalmar-nos e dormir bem nessa noite.

[Tem de ser não é? Tem de ser budista, certo? Afinal os taxistas já passam por tanto, com os riscos que correm à noite e com sabe-se lá que tipo de passageiros, com a concorrência da Uber que não paga todas as taxas que eles têm de desembolsar...não iam ser hostis para dois passageiros com ar simpático que vêm do aeroporto só porque são portugueses e nem trazem bagagem para pôr na mala e se cobrar mais uma taxa adicional por isso. Certo?]

 

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11
Abr16

5 Personagens que Existem em Todas as Famílias

Maria das Palavras

(Menos na minha. Cof cof cof.)

1. O barrigudo que tira a roupa

Um tipo vermelhusco, bem oleado por copos de tinto e que em todos os eventos familiares chega ao ponto de se achar um participante - o melhor - do Achas que Sabes Dançar. Para riso de quase todos, mas vergonha dos entes mais próximos que disfarçam com um sorriso de aceitação desolada, é inevitável o momento em que acaba a despir a camisa. Se tivermos sorte, só a camisa. 


columbus-blue-jackets-fan-turn-down-for-what-dance

 

 

2. A mexeriqueira

É uma mistura explosiva entre SIC Notícias do Alandroal de Baixo, informador do FBI e mural do Facebook. Sabe tudo e põe a informação a circular como se a sua vida dependesse disso - e no fundo a atenção que todas as outras mulheres lhe dão depende mesmo disso (mesmo aquelas que depois comentam ao lado que a fulana é funcionária da Rádio Alcatifa com ar reprovador, não se afastam enquanto não ouvem tudo). A sua veia curiosa e intriguista também é o gerador principal de várias discussões familiares. E é um gerador tal que várias petrolíferas querem catá-la para não se descobrir esta fonte de energia inesgotável que pode acabar com o negócio deles. 

 

3. O palhaço de serviço

Em muitos casos é a mesma pessoa que o barrigudo que tira a roupa. Embora geralmente faça os presentes rir com os seus comentários ora sagazes ora inconvenientes, não deve ser dada muita confiança ao palhaço de serviço sob pena de este começar a fazer tentativas que envolvem funções corporais (aka arrotos). Numa versão mais ligeira pode ser só o tipo que tem o maior portfólio de anedotas - que repete em todos os jantares. Todos. Sim, vai voltar a repetir - felizes dos presentes que têm memória curta e que podem rir-se de todas as vezes.

 

4. A velha das notas

Toda a gente sabe ou suspeita que ela é cheia da massa apesar de ser reformada desde 1845 e comer pão até ganhar bolor. Aliás é por ser tão poupada (forreta, há quem diga) que reuniu uma quantia de dinheiro que, para os filhos da crise que não sabem bem o que é poupar, é uma fortuna - embora para ela, que faz contas ao dinheiro que precisa para o seu próprio funeral, seja sempre pouco. De quando em vez, numa época de Páscoa em que o sol se põe para Este a uma sexta-feira 13 ela saca de uma nota gorda e dá a uma das crianças que entende ser merecedora daquele pedaço de papel que ela guardou nos últimos cinco anos no fundo de uma arca e cheira ligeiramente a alfazema (ou bolas de naftalina). Sim, ainda tem notas de escudos guardadas dentro de um colchão velho.

 

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5. A deslocada

Assume geralmente a forma de um(a) adolescente, mas não é obrigatório. O telemóvel é o seu melhor amigo em qualquer ocasião familiar e escolhe os cantos mais recatados da sala como habitat natural. Ninguém lhe vê as beiças desde 2003 porque está sempre de cabeça baixa, até a comer, e cabelo a tapar meia cara. Assume-se naturalmente, pela postura, que é estudiosa e/ou rebelde, mas em calhando não é nenhuma das duas, é só menos fingida que os outros que atiram sorrisos por cima do bacalhau com todos.

 

Conseguem identificar alguns no vosso seio familiar? Cuidado. Se não conseguem...podem bem ser vocês. Muahahahah.

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