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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

02
Dez16

O problema das campanhas de beleza real

Maria das Palavras

É que é irrealista esperar que o mundo se pinte ou deixe de se pintar para nós. É que temos de saber distinguir o que importa para além do batom e da sombra dos olhos, sem exigir que ela deixe de estar lá.

O importante é que qualquer que seja a campanha nós saibamos que nem todas as mulheres são tão perfeitas como aparentam, mas também que saibamos lidar com o facto de algumas estarem esteticamente muito mais perto da perfeição (sem artifícios) do que nós - e que isso não faz mal. 

Não deveria ser um problema que as modelos e atrizes (e colegas de trabalho!) se produzam e se mostrem no seu melhor, tal como nós também podemos tentar fazer, com maior ou menor sucesso, com a certeza que não é isso que nos define.

 

O problema é que estas campanhas sejam necessárias. Ou que achemos que sejam. Quando mesmo fora das folhas das revistas temos de lidar com gente mais bonita e mais elegante ou bem torneada que não podemos censurar ou pedir com força que deixe de existir. É que mesmo sem produção (digital no ecrã, manual na cara e nos cabelos e nas unhas) vamos sempre ver pessoas mais bonitas e mais feias à nossa volta e querer encaixar-nos nalgum lugar.  É com isso - com a diferença - que temos de saber lidar. Sem nos sentirmos mais ou menos. 


Saibamos, sim, que bonito e feio vai além da capa. Que gordas, magras, simétricas ou desdentadas todas temos algum tipo de beleza. Mas também que agora que a Dove e a Pirelli e a Alicia Keys já nos disseram que não é preciso ter-se vergonha de mostrar exatamente o que somos, não percamos de vista também que não faz mal que nos tentemos valorizar (de forma equilibrada) e que podemos viver de bem com quem se valoriza.

 

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30
Nov16

Conto de encontro #1

Maria das Palavras

A chuva picava-lhe a cabeça, ainda assim menos que as suas próprias dúvidas. Já seguia atrasada para abrir a loja – sempre combinava com o atraso para pagar as contas.

 

A voz seca da mãe em loop: não arranjas homem, ao menos arranja um negócio. Abrir a loja foi só a pior decisão da vida dela. E muito menos lhe permitiu tempo para a primeira opção. No fundo a vida dela resumia-se a um conjunto de decisões erradas: o curso errado, o timing errado para deixar a casa dos pais, os homens errados, o negócio errado.

Era dona de uma pequena loja de artigos informáticos. Porque alguém lhe disse que era “isso que estava a dar”, como quem fala de um programa de televisão. E ela sabia pouco do que dava ou não dava, só sabia que precisava de algo que desse. As poupanças de uma vida (a do pai) serviram ao investimento inicial e a falta de experiência dela fez o resto.

 

- Olá vizinha!

 

Ao lado da loja dela ficava a das gomas, que geria o Frederico no lugar da sua avó. Ela a vender discos externos, o Frederico na loja das gomas. O Frederico com o curso técnico informático, ela com uma vida de treino a comer doces. Ah, as graças da vida.

 

De cabeça enfiada no telemóvel nem deu troco ao Frederico. É que tinha mesmo de responder à mensagem do Luís:

 

“Tenho saudades. Vemo-nos logo à noite?”

 

O Luís era o namorado da mãe.

 

 

Comenta e Decide

 

O que reponde ela ao Luís?

  1. Sim
  2. Não.

 

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30
Nov16

Este blog não é sobre livros #10

Maria das Palavras


Os livros muito bons têm poderes mágicos. Dão-te vontade de escrever.

É a primeira vez que escrevo esta rubrica sobre um livro que não acabei ainda de ler. É porque não interessa. Aconteça o que acontecer nas últimas cem páginas este livro já me tem na mão - não sou eu que o seguro, ele segura-me a mim

Creio que foi também uma estreia que um livro me tenha surpreendido logo no segundo capítulo. Eu sei dizer porquê: porque me chateei quando percebi que o livro era uma sequência de contos. Só que não era.


Nem vou dizer mais nada. Só interessa se o lerem. Só percebem se o lerem. Só se apaixonam se o lerem.

Pela terceira vez este ano provo um aclamado autor português. Um dos "da moda". É a segunda vez que me apaixono. Que boas notícias para a literatura portuguesa: ter quem assim lhe acrescente valor. 


[Obrigada, meu Moço. Não tens de te chatear mais. Prometo que a partir de agora ponho à frente da fila os livros que foste tu a escolher para mim.]

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29
Nov16

Ai Shilpa, Shilpa...

Maria das Palavras

Olha, filha, a primeira coisa que tenho a dizer é: descansa, eu às vezes também finjo que sei de coisas que afinal não sei. Penso, aliás, que passo a maior parte da vida a fazê-lo (se é que não passamos todos). A diferença é que ninguém publica as minhas baboseiras num jornal. 

Ora a Shilpa (uma atriz que por mera coincidência é também uma participante no Big Brother do Reino Unido) é autora da seguinte nota num jornal indiano:

 

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A argolada explica-se bem. Ela recomenda os livros do Senhor dos Anéis, Harry Potter, as Mulherzinhas e Animal Farm a crianças, como parte do programa escolar. Acrescenta ainda que Animal Farm lhes pode ensinar a tratar bem dos animais. 


Se nos primeiros livros a opinião dela é discutível (não sei em que idades estaria a pensar), o último é uma pérola. É um livro de George Orwell sobre revolução e tirania. Os animais servem de metáfora, mas mesmo levados literalmente falamos de porcos que geram uma revolução contra o Homem que não os alimenta e deixa as vacas morrer de fome, mas quer o seu leite - eu também não li, isto tirei mais coisa menos coisa da crítica à Shilpa e da wikipedia. Seja como for, assim às primeiras dá para ver que isto não se qualifica como "tratar bem" e o que se verifica mesmo é que ela não leu o livro - os livros, como admitiu depois.


E o que eu quero não é evidenciar a argolada da rapariga, mas sim a criatividade dos comentadores que me fizeram rir à bruta. Pois se ela tomou um livro chamado "A quinta dos animais" por um livro sobre como tratar bem os animais...podemos levar outros títulos literalmente?

 

 "V de Vingança é um excelente livro para iniciar os miúdos no alfabeto inglês."

 

 "Cinquenta Sombras de Grey é um manual de instruções para impressoras."

  

"PS, I love you encoraja as crianças a comprarem play stations."

 

Acho só fantásticas estas reações. Podem ler mais aqui (onde vi o artigo sobre isto) ou pesquisando a hashtag #ShippaShettyReviews no Twitter. Sou suspeita, não estou nos sapatos dela, mas acho que é humor saudável, que não aleija. Ou então sou eu que tenho os limites muito alargados.

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