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Maria das Palavras

A blogger menos in do pedaço, a destruir mitos urbanos desde 1986. Prazer.

28
Abr17

Ainda gosto de vocês, sim?

Maria das Palavras

Continuo a achar que há sempre tempo para as coisas que gostamos, mesmo que seja numa medida diferente da que temos por ideal. Outra coisa em que acredito é na gestão de prioridades. É por isso que continuo a escrever no blog mais do que a acompanhar os blogs que fazem parte da minha lista de favoritos (e outros guilty pleasures). Aprendi a gostar muito deste mundo em geral e do bairro verde em particular, mas o que me trouxe aqui foi a escrita. E quando o tempo aperta, escrevo, mas não leio. É o que tem acontecido. De forma que praticamente não sei de novidades. Hoje dei por mim numa longa espera (forçada) por alguém e abri o Bloglovin. A Just limpou o terreno. O Guilherme - Por falar outra coisa - lançou um podcast (juroooooo que tinha o meu gravado há meses para publicar). O passatempo da M.J. está a acabar (hoje). A Cocó foi ao Brasil.

A gestão do meu tempo (e das minhas prioridades) mudou forçosamente, sem data marcada para regresso. Por isso nem sempre respondo aos comentários. Nem sempre comento outros.  Muitas vezes nem estou a acompanhá-los como gostaria. Mas fica a mensagem geral: ainda gosto de vocês, sim? E é por isso (e porque me faz bem) que não dispenso 2 minutos de terapia diária que sejam a deixar aqui umas letras, mesmo que não sejam as mais polidas do mundo.

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27
Abr17

"Hás-de dizer-me onde é o teu caixote do lixo!"

Maria das Palavras

Sabem quando nós dizemos isto? A propósito de alguém que desdenha de um homem ou mulher que parecem maravilhosos? "Quem o Filipe? Mas ele é tão alto...Não faz nada o meu género." E o Filipe é lindo, simpático, o perfeito encontro entre sensível e assertivo?
Já ouviram a expressão? Já a usaram? Pois este texto não tem nada a ver com isso.


Aproveitei o feriado para dar cabo das últimas caixas das mudanças. Era uma das caixas mais difíceis, daquelas de tralha literalmente falando, mas que não se deita fora porque temos uma ligação emocional com as coisas ou achamos que as vamos usar apesar de nunca olharmos para elas (e de quando são efetivamente precisas nem nos lembrarmos que as temos). Um bilhete de cinema. Um bombom daquela ocasião. Faturas velhas. Canetas sem tinta. Uma fita colorida que um dia pode dar jeito para embrulhar uma prenda. A agenda de 2010 meio usada. A lembrancinha do aniversário da prima da vizinha que continuava guardada. O guia que fiz para visitar aquela cidade onde não vou voltar.

 

Peguei em mim e fiz a seleção possível. Desfiz-me do que já não tinha desculpas para guardar e guardei o resto com a desculpa de que quando precisar de espaço faço uma nova triagem. Juntei tudo o que era para deitar fora na caixa original, juntei-lhe o saco do lixo praticamente cheio da cozinha e fui deitar ao contentor. Reparei que havia uma senhora muito próxima da zona do lixo que me parecia estar a desparafusar umas mobílias encostadas ali deixadas, quando já era tarde demais para voltar para trás. Ainda por cima, a caixa de cartão que tinha tudo estava molhada e a rasgar-se e eu já não podia mais suster tudo nos braços. Virei o conteúdo para o contentor.

Voltei para casa. E no caminho virei-me para trás. A tal senhora, relativamente bem vestida, com uma malinha de mão e tudo, estava a catar o lixo. Ao afastar-me ela abriu a tampa do contentor e puxou parte do que eu tinha acabado de deitar fora para espiolhar e escolher. Tive um sentido de estar a ser invadida. Deu-me um nó no peito. Apeteceu-me gritar: HEY, ESSE É O MEU LIXO! Mas deitei-o fora. Disse que já não me servia. O que pensar disto? Pensei em falar com ela ou em chamar a polícia: ela estava a meter-se onde não era chamada e de repente eu nem me lembrava se tinha deitado alguma coisa importante como um documento velho. E ao mesmo tempo ela não estava a fazer mal nenhum. Estava a violar-me. E não estava.

 

O meu lixo podia mesmo ser (um) tesouro dela? E que tipo de vida tem de se levar para fazer do lixo de alguém o seu tesouro? E é certo ou errado? 

Não tenho respostas, só perguntas. E tenho aprendido que assim sei mais. 

 

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26
Abr17

Uma foto da semana, se me dar na gana #8

Maria das Palavras

Not ready for monday - Maria das Palavras

Eu e o meu top "Not ready for Monday" que vos mostra como tenho andado a evitar o ferro.


A segunda-feira não é um dia, é um estado de alma. Pode acontecer a um sábado, ao meio dia, entre duas semanas de férias. Segunda-feira é logo que somos chamados a enfrentar algo que preferiamos adiar. Ou o momento em que temos de parar algo que nos faz feliz. Ou o segundo logo a seguir a uma separação. Deixar-te é uma segunda-feira.

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24
Abr17

Caça-sotaques

Maria das Palavras

Maria: ...e depois vamos um bocadinho à beira da praia.

Moço: Isso foi de propósito?

Maria: Isso o quê?

Moço (a rir): Ouviste como falaste? "À beira da praia"? Com sotaque do norte?

Maria: Ops...

 

Ainda não fez assim tanto tempo, nem falo só com pessoas daqui e detentoras de sotaque. Mas já desde pequena tenho esta propensão para os colar à língua. Quando a minha vizinha de França vinha a cada verão com o seu português colorido de francês eu apanhava-lhe os trejeitos até ela se ir embora. Por isso dêem atenção aos vlogs e pocasts que vou publicando e à sua evolução, que está uma mulher do norte em formação! (apesar de ainda sentir muita falta do Colombo)

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